Quanto o Cartão do seu Banco Cobra no Exterior (Nubank, Itaú, Inter)

Em uma compra de US$2.000 no exterior, o cartão de crédito comum do seu banco tira entre R$765 e R$918 em taxas, dependendo de quem emite o cartão. Um cartão sem IOF e sem spread tira R$0 quando você gasta em dólar. A diferença não está numa letra miúda difícil de achar: está em duas taxas que aparecem em toda fatura internacional, o IOF e o spread. Este artigo mostra quanto o Nubank, o Itaú e o Inter cobram de cada uma, faz a conta com número, e explica por que dá para chegar a zero.
A parte que confunde é que essas duas taxas se comportam de formas diferentes. O IOF é imposto federal, é igual para todo cartão e você não escapa dele num trilho de câmbio tradicional. O spread é a margem que cada banco põe por cima da cotação, varia de instituição para instituição, e quase nunca é divulgado de forma clara. É no spread que os cartões se separam entre caros e absurdos.
O Picnic é uma plataforma de tecnologia que opera globalmente desde 2021 e oferece, no Brasil e na Europa, uma conta internacional com cartão Visa em dólar digital. Todos os dados deste artigo foram verificados em julho de 2026 em fontes oficiais e nas condições públicas de cada banco.
As duas taxas que todo cartão brasileiro empilha
Todo gasto no exterior com um cartão emitido para brasileiro é a soma de até três componentes. Dois deles aparecem em praticamente todo cartão de crédito comum:
- IOF. Imposto federal sobre operações de câmbio. Desde julho de 2025, a alíquota padrão para compras internacionais com cartão de crédito, débito e pré-pago é de 3,5%. Fonte: Decreto 12.499/2025, que padronizou a alíquota e interrompeu o cronograma que reduziria o imposto até 2028. Ou seja, os 3,5% não têm previsão confirmada de cair. Cobertura completa no nosso guia sobre o que é IOF.
- Spread do emissor. A margem que o banco adiciona à cotação de câmbio de mercado no momento em que converte a compra para reais. Vai de 0% a mais de 6% dependendo da instituição, e raramente vem destacado na fatura. É a taxa oculta. Explicamos o conceito no artigo sobre spread cambial.
- Margem de câmbio da rede. Cerca de 0,3%, aplicada pela Visa ou Mastercard quando há conversão automática entre duas moedas diferentes no momento da compra.
O IOF é o mesmo para todos. Quem decide se o seu cartão é caro ou muito caro é o spread. E como ele fica embutido na cotação que o banco usa, a maioria das pessoas nunca soma quanto pagou de verdade. Uma observação importante antes dos números: o custo também muda entre crédito e débito, porque o momento da conversão é diferente. Detalhamos isso no artigo sobre cartão de débito ou crédito no exterior.
Quanto o Nubank cobra no exterior
No cartão de crédito comum do Nubank, a conversão de compras internacionais usa a cotação de referência da bandeira com um spread de aproximadamente 4%, somado ao IOF de 3,5%. O custo efetivo fica em torno de 7,5% sobre o valor da compra.
Aqui entra a primeira exceção honesta, e ela importa. O Nubank tem produtos que fogem dessa conta:
- Nubank Ultravioleta. No cartão de crédito Ultravioleta, o banco estorna o IOF das compras internacionais na fatura, mas mantém um spread cambial. O estorno reduz bastante o custo, e o detalhe é que o Ultravioleta é um tier pago, com mensalidade e regras de isenção que dependem de gasto mínimo ou valor investido.
- Conta Global (débito). É a conta multimoeda do Nubank, exclusiva para clientes Ultravioleta. Ela zera o spread cambial e usa câmbio comercial, mas o IOF de 3,5% continua incidindo sobre cada conversão de reais para a moeda de destino.
Ou seja: o Nubank tem caminhos baratos, mas eles vêm com condições. Fizemos a conta completa da Conta Global no artigo Nubank Conta Global vale a pena no exterior. O cartão de crédito que a maioria dos clientes usa por padrão, sem entrar no tier, é o de ~7,5%.
Quanto o Itaú cobra no exterior
O Itaú é o mais caro dos três. O cartão de crédito internacional do banco converte as compras por um câmbio próprio, mais caro que a cotação comercial, com um spread que fontes de mercado colocam entre 5,5% e 5,8% em 2026. Somado ao IOF de 3,5%, o custo efetivo de uma compra internacional passa de 9%.
O agravante é a transparência. O spread do Itaú não vem discriminado na fatura: você vê o valor final em reais, já convertido, sem saber quanto daquilo foi margem do banco. Para descobrir, seria preciso comparar a cotação usada na sua compra com a cotação de mercado do mesmo dia, um exercício que quase ninguém faz. Voltamos a como fazer essa verificação no fim do artigo.
Quanto o Inter cobra no exterior
No cartão de crédito do Inter, a conversão usa a cotação da bandeira com um spread na faixa de 4% a 5%, mais o IOF de 3,5%, o que dá um custo efetivo em torno de 7,5% a 8,5%.
O Inter também tem uma exceção, no mesmo espírito da do Nubank. A Global Account é a conta em dólar do banco, com cartão de débito internacional: você carrega o saldo antecipadamente e o spread é regressivo (fica menor conforme o seu relacionamento e volume investido no banco), o que torna a conta mais barata que o crédito comum no componente de spread. O IOF de 3,5% continua se aplicando à conversão. É um produto diferente do cartão de crédito comum e, para quem já usa o Inter, uma alternativa mais barata que o crédito padrão.
O padrão se repete nos três bancos: existe um produto barato escondido atrás de uma condição (tier, saldo pré-carregado, relacionamento), e existe o cartão de crédito comum que as pessoas usam no automático e que empilha imposto mais spread.
A tabela consolidada
Percentuais aproximados sobre o valor da compra, verificados em julho de 2026. Os totais somam IOF mais spread; em compras em moedas diferentes do dólar, some ainda cerca de 0,3% da margem da rede, que vale para qualquer cartão. O spread não é divulgado de forma transparente pelos bancos, então tratamos como estimativa de mercado. IOF de 3,5% conforme o Decreto 12.499/2025.
| Cartão (crédito comum) | Spread aprox. | IOF | Custo total aprox. |
|---|---|---|---|
| Nubank | ~4% | 3,5% | ~7,5% |
| Itaú | ~5,5% | 3,5% | ~9% |
| Inter | ~4% a 5% | 3,5% | ~7,5% a 8,5% |
| Bradesco | ~5,3% | 3,5% | ~8,8% |
| Santander | ~6% | 3,5% | ~9,5% |
| Picnic | 0% | 0% | 0% em dólar / ~0,3% em outras moedas |
Os produtos de exceção citados acima (Nubank Ultravioleta, Conta Global, Inter Global Account) saem dessa tabela porque não são o cartão de crédito padrão: cada um tem tier, saldo pré-carregado ou relacionamento como pré-requisito.
A conta em uma compra real
Cenário: você gasta US$2.000 em uma viagem. Cotação de referência em julho de 2026 de aproximadamente R$5,10 por dólar, o que dá R$10.200 antes das taxas.
IOF (igual para todos os cartões de crédito): 3,5% sobre R$10.200 = R$357.
Agora o spread de cada um:
- Nubank (crédito): spread de ~4% = R$408. Com o IOF, o total sobe para cerca de R$765.
- Itaú: spread de ~5,5% = R$561. Com o IOF, cerca de R$918.
- Inter (crédito): spread de ~4% a 5% = R$408 a R$510. Com o IOF, cerca de R$765 a R$867.
E o Picnic, na mesma compra:
- Gastando em dólar: 0% de IOF, 0% de spread. O saldo do Picnic já é em dólar digital, então não há operação de câmbio para disparar o imposto nem margem para o banco embolsar. Custo total: R$0. Você gasta exatamente R$10.200.
- Gastando em outra moeda (euro, iene, peso): entra apenas a margem de cerca de 0,3% da rede Visa, cerca de R$31. Nenhum IOF, nenhum spread do Picnic.
A diferença de US$2.000 numa única viagem, entre o cartão de crédito do Itaú e o Picnic gastando em dólar, é de aproximadamente R$918. Em duas ou três viagens por ano, ou em compras recorrentes em sites internacionais, a conta acumula rápido. Se os Estados Unidos são o seu destino, vale ler também o guia do melhor cartão para usar nos EUA.
Por que o Picnic escapa das duas taxas
O IOF de câmbio existe porque, num cartão tradicional, cada compra no exterior aciona uma operação de câmbio: converte real em moeda estrangeira, e a lei cobra o imposto sobre essa conversão. Nenhum banco tradicional consegue zerar isso, e é por isso que até a Conta Global do Nubank, que zera o spread, continua pagando IOF.
O Picnic opera com tecnologia própria, fora do circuito tradicional de câmbio. O saldo já é em dólar digital, então quando você gasta em dólar não existe a operação de câmbio que dispararia o imposto. Sem conversão, não há IOF nem spread. É por isso que o custo em dólar chega a 0%, e não por promoção ou condição temporária.
Em compras e assinaturas cobradas em dólar, o custo é de 0% de spread e 0% de IOF. A margem de cerca de 0,3% da rede Visa se aplica apenas a transações em outras moedas, e mesmo assim é a mais baixa do mercado brasileiro. Além disso, o Picnic absorve a taxa Visa ISA de 1% que os concorrentes repassam ao cliente. O ciclo completo de manter e gastar em dólar aparece no artigo sobre conta em dólar para brasileiros.
Vale registrar o que está sendo comparado, para ser justo. Os cartões de crédito acima oferecem crédito, parcelamento e, em alguns casos, milhas e benefícios que o Picnic não tem. O ponto deste artigo é estreito e específico: o custo de câmbio de gastar no exterior. Nesse recorte, a matemática é clara.
Como descobrir o spread do seu próprio cartão
Se você quer conferir na prática quanto o seu banco cobra, sem depender de tabela nenhuma, dá para fazer em três passos na sua última fatura internacional:
- Pegue uma compra internacional na fatura e anote o valor original em moeda estrangeira e o valor final cobrado em reais.
- Descubra a cotação de mercado (comercial) daquele dia. O Banco Central publica a PTAX, e a calculadora oficial da Visa mostra a taxa da rede.
- Compare. A diferença entre o que você pagou e o valor pela cotação de mercado, descontado o IOF de 3,5%, é o spread do seu cartão. Se a conta não fecha em nada perto de zero, esse excedente é margem do banco.
Esse exercício costuma ser revelador, porque o spread nunca vem com nome na fatura. Entender como a cotação é montada ajuda, e cobrimos isso no artigo sobre como funciona a cotação do dólar.
Como decidir
O custo de gastar no exterior se resume a duas perguntas:
- Qual é o custo total, IOF mais spread, do cartão que você usa por padrão? No cartão de crédito comum do Nubank, do Itaú ou do Inter, a resposta está entre 7,5% e 9% sobre cada compra. Não é o fim do mundo numa compra pequena, mas numa viagem inteira vira centenas de reais.
- Você tem acesso a um caminho sem essas taxas? Os produtos de exceção dos próprios bancos (Ultravioleta, Conta Global, Global Account) reduzem o custo, mas cobram um pedágio de entrada: tier pago, saldo travado ou relacionamento. O Picnic zera o custo em dólar sem tier, sem anuidade e sem gasto mínimo.
Um lembrete que vale para qualquer cartão: no exterior, sempre recuse a opção da maquininha de "cobrar em reais". Pagar na moeda local é quase sempre mais barato, como explicamos em pagar em reais ou em moeda local. E se você ainda está decidindo como levar o dinheiro, compare as melhores formas de levar dólar para viagem.
Resumo
O cartão de crédito comum dos principais bancos brasileiros cobra duas taxas em cada compra no exterior: o IOF de 3,5%, que é imposto federal e igual para todos, e o spread, que varia por banco e fica escondido na cotação. Somadas, elas colocam o custo entre 7,5% e 9% no Nubank, no Itaú e no Inter. Numa compra de US$2.000, isso é entre R$765 e R$918 que saem do seu bolso sem aparecer com nome na fatura.
Os três bancos têm produtos mais baratos, mas todos exigem uma condição: tier pago, saldo pré-carregado ou relacionamento. O Picnic ataca as duas taxas de uma vez, sem pré-requisito: em compras em dólar, o custo é R$0, sem IOF e sem spread; em outras moedas, cerca de 0,3%. Para quem viaja ou compra em sites internacionais com frequência, essa é a diferença entre pagar o pedágio todo mês e não pagar nada.
Se a conta faz sentido para o seu caso, peça seu cartão internacional sem anuidade e configure a conta em poucos minutos. E se quiser conferir antes de trocar, faça o exercício de descobrir o spread do seu cartão atual: o número costuma surpreender.
A Picnic é uma plataforma de tecnologia que permite ao usuário interagir de forma autônoma com USDC, stablecoin emitida pela Circle, pareada ao dólar americano, em redes blockchain públicas. O USDC não é moeda de curso legal no Brasil.
A cotação exibida varia conforme condições de mercado e o valor final válido é o apresentado na tela de confirmação da transação. Criptoativos envolvem riscos, incluindo volatilidade e perda de paridade.
A Picnic não custodia ativos do usuário e não é instituição financeira ou PSAV. O envio e recebimento de valores em dólares para conta americana é realizado por meio de parceria com a Noah Savings Inc. Termos e condições se aplicam.
Dados verificados em julho de 2026.
Equipe Picnic
Plataforma de Tecnologia
A equipe Picnic cria conteúdo sobre finanças internacionais, cartões e dólar digital.
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